domingo, maio 18, 2014

Corruptela


Estamos diante uma eleição em que todos os candidatos, por ação subliminar, querem manter as mamatas camaradas que compartilham da corrupção legal do erário, manter os agrados às boas ovelhinhas que cooperam em transações corrompidas, - um sistema corrupto, que corrupia até o amálgama da alma, - num Sistema Corruptor, mordaz quanto um Corrupião.

Não percebem que estão doentes de Corruptus Politicus, com sintomas apocalípticos, adeptos a uma evolução latifundiária e de uma urbanidade estupefata. Esta doença causa cegueira da realidade, combinada a uma mentira que se impõe a ser verdadeira - ilusão imposta aos outros. - onde o egocentrismo tilinta com o contentamento das suplementações secundárias, o que o enriquece vertiginosamente. Os efeitos são devastadores, pois tendem para o lado negativo, existencial, do Sistema Controlador do Sistema Corruptor do Sistema Superior. As etapas evolutivas dos sintomas em alguns são facilmente perceptíveis, enquanto em outros já infectados no berço, a doença é hereditária. Um mal Global. Um sonho para muito poucos.

A cura é a Utopia. Um sonho que se sonha só.


O exemplo pessoal é essencial à cura; a simplicidade e a gentileza devem manter-se acesas, até a cura chegando à humildade. A autoridade do Poder que o Sistema impõe que haja, deve ir de encontro às mazelas sedutoras da mais valia que o Sistema proporciona; é onde a simplicidade lava o caráter, põe os pés no chão e entre olhos percebe a multidão de iguais. Levanta a moral e pratica a gentileza, nos dois sentidos do gentil(o), praticando a benevolência e cumprindo sua cidadania servil. Quanto mais conseguir compreender o incompreensível através da realidade latente, perceberá que o óbvio pulsa, e que por mais que tente esconder as mentiras, de nada vai valer. Então com a consciência cósmica de ser um cidadão terráqueo, entre bilhões, abençoado pelo Poder, - com o Poder que possui. - influir. A partir da cura, as atitudes serão antídotos para outros infectados. Estar ciente da cura e dar o exemplo em si é o melhor antídoto.

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domingo, fevereiro 09, 2014

Pitoresko



Imagino que o pitoresco são as essências representativas da simbologia típica, poética, sobretudo de um lugar, de uma região, de uma kultura exposta, com ícones, metáforas, uma localidade ou qualquer coisa simples e especial. Com atrativos que inspiram o sossego, a tranquilidade, o prazer, o retiro. Um bálsamo para a vista e para a alma.

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sábado, novembro 24, 2012

Simpatia



Não sei como se chama. A conheço, inda menino, na porta do Cine São Luiz, na Rua do Comércio (Maceió/AL), entre outras pedintes, nos idos anos 70. Lembro que senti algum receio, medo, daquelas mulheres pedindo um troco, exatamente na hora do ‘caixa’, quando tirava do bolso a carteira, havia um corrimão de aço que nos separava; hoje risonha, quase sempre isolada, de passagem pelo Centro é sempre por mim cumprimentada. Simpatia.

Foto: Com um cabra chamado Max, dando uns toques de funcionamento da câmera, na esquina da Catedral, onde ela estava repousada. Usamos a câmera Nikon F-10 e lente Nikkor 50mm, 1:1.8; filme de ISO 200.

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sexta-feira, julho 13, 2012

Reflexão a partir do que parecia NADA


















Dois flagrantes da ocasião. No mesmo instante. Um macaco de pelúcia afogado e uma pomba em pleno vôo. Num lapso de 50 segundos, dois olhares, no mesmo lugar. Em meio ao lixo arrastado pelas águas da chuva, via o leito do Riacho Reginaldo, náufrago devolvido pela maré no movimento das ondas do mar, ali estava exposto o macaquinho; me fez lembrar a criança que um dia recebera de presente com tamanha felicidade. Refleti sobre o apego às coisas e o descaso ao desapego. Dos valores dos bens quando sentimentos recreativos sobrepõem-se a realidade de sua produção e do destino, quase sempre o lixo, nessa cultura sintética da indústria que desmata, polui, abate, destrói... Desse lixo quântico, como um fractal infinito, encontrado em todo lugar da Terra. Na aura existencial desse macaquinho pulsam sentimentos ínfimos pelo amor de uma criança mais pura, mas também há sentimentos cruéis de um mercado corruptor que lucra a imbecilidade do enriquecimento, pelo glamour, pela luxúria, por causas inconsequentes e egocêntricas, vislumbrado no trânsito caótico das ruas a penumbra obscura do futuro incerto. Evolução em plena involução ao invés de revolução. O caminho errado da humanidade. Enquanto isso a pomba desloca-se num vôo solitário de inocência animal... - será que é isso, esse sentimento bicho, esse desabrochar do animal que habita nessa gente máquina, que a humanidade perdeu ? 

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quinta-feira, junho 07, 2012

Solitude



Cumes de aflição abismal rodopiam o corpo inteiro, anestesiando a mente num movimento contínuo de nada absoluto. A compreensão de nada. Um todo relativo é esmagado por um nada irrefutável. Um labirinto de mesmas coisas e mesmas caras e mesmas atitudes e... A rotina dos lugares, suas características manifestas transbordam, despencando nos perâmbulos um total sentimento de estrangeirismo.

Há preocupação básica do futuro. Há erros por todos os lados, a civilização está voltada para a morte, caminhando para um abismo, e o sentimento da reação está anestesiado, da reação de se ter a consciência da relação do Universo ser você e um nada soberano planando... num baile mesológico, entre corredores, becos, estradas e alturas atmosféricas, no giro contínuo das galáxias cintilantes.

As notícias alertam para muitas das agressões fatais à Terra. A questão básica da água, do cuidado que a humanidade deve ter e não tem, do descaso à problemática, do poder imaginar um futuro desértico, sem possibilidades de procriação, numa guerra selvagem, após outra guerra covarde. Como refletira Einstein: "se houver a terceira guerra mundial a quarta será a pau e pedra".

Não venha me dizer que sou pessimista. Não, não sou. Apenas acho péssimo o caminho político que as tendências das influências humanas têm determinado. (2003jan22)

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terça-feira, junho 05, 2012

A roupa no parador



Essa cena remeteu imediatamente a um cântico de capoeira que conheço e que sempre canto. Acho muito engraçado quando a poética diz: "Seu guarda civil não quer / a roupa no parador". Pois por todo lugar que vou, aqui no nordeste, vejo roupas estendidas; mas que pelo raro fato de serem roupas íntimas, me chamaram a atenção.

Sereia
CÂNTICO DE CAPOEIRA


Sereia, sereia
Eu nunca vi tanta areia no mar
Sereia, sereia
Eu nunca vi tanta areia no mar
Sereia, sereia
Eu nunca vi tanta areia no mar


Eu vim aqui foi pra vadiar
Eu vim aqui foi pra vadiar
Oh vadeia, vadeia to vadiando
Eu vi a pomba na areia
Oh vadeia, vadeia to vadiando
Eu vi a pomba na areia


Seu guarda civil não quer
A roupa no parador
Seu guarda civil não quer
A roupa no parador
Meu Deus onde eu vou para
Para minhá roupa
Meu Deus onde eu vou para
Para minhá roupa


LCB_2011jul18

terça-feira, maio 08, 2012

Sem Título*


Eis que me encontro num profundo poço, sem expectativas claras, sem rotinas de trabalho, mergulhado na rotina da família.

Sou um ser como qualquer outro que sente, erra, sonha, pensa... Que nada mais que tantos sobreviventes. Um sujeito em apuros permanentes, lutando pela evolução mais justa e saudável. Num labirinto de relações, estigmatizado pelas idéias, pelas ações, pela política, pela vontade de fazer... Sempre ativo, às margens desse universo corrupto desse tipo de poder, desse mercado mercenário, dessa linguagem chula do cotidiano televisivo, enfim, na contramão desse trânsito desumano (ou demasiadamente humano), dessa evolução apocalíptica, do desmatamento e da poluição, da miséria que constrange, da miséria da cultura de barriga vazia.

Quero dizer-me, justificar-me, que sou pelo acaso; estou nesse mundo para viver o que ele está a me oferecer; sou, como todos, obra da natureza; estou aqui, como todos e tudo estão; na vida tudo acontece, como um dia, uma noite e outro dia, dias e dias, tudo acontecendo. O previsível acontecendo, o imprevisível acontecendo, a realidade acontecendo e o dia jaz em mais um pôr do Sol. Muitos vão dormir, enquanto tantos acordam, num cotidiano de sonhos e ilusões, de momentos felizes e infelizes, de uniões e separações...

Assim vejo o destino: O que tem que acontecer acontece, o que deve nascer nasce, o que deve morrer morre. A vida é um mundo de experiências palpáveis, - Estamos aqui para isso ! - em busca de horizontes distintos; paralelos e congruentes ou discordantes; cada ente com sua sina, seu fardo, seu passado e futuro.

Somos sobreviventes de uma História milenar, tempo ínfimo no fluir do Universo, tempo em que os Humanos descobriram a roda, o fogo, a comunicação. Tempo da evolução humana, até aqui, enquanto escrevo. Desde que o Homem deixou de ser um ‘animal’ para ser o Homo sapiens sapiens, o mundo do conhecimento, o domínio e a urbanização.

Mas o que pretendo aqui é retratar o que sinto, percebo, se passa comigo, minha vida de ontem à hoje. As influências, o casamento, os filhos, o amanhã. Que me Sinto no fundo do poço, poço profundo, aqui a vida por várias vezes me trouxe - Por castigo ? - provocando meus instintos, minha força de vontade, minhas aptidões, sentimentos que pulsam e pairam; da ajuda que ajudo e sou ajudado; dos encontros e desencontros, de anseios e esperança.

Minh’aura magnetiza a ação e a reação, atrai e repele, ilumina e obscurece. Apesar da situação incômoda, não há arrependimentos, pelo contrário, levo a vida como um amálgama de aprendizados e experiências, de tudo um pouco; tento ser companheiro; concretizei centenas de trabalhos em comunicação... Está aqui minha vontade,- meu amor por tudo que faço, vivo e tenho. - confrontada com as exigências tiranas do capitalismo. Das desigualdades do escravismo moderno; da temperança quase desesperada. Dos estigmas que obscurecem realidades de luz. Entre a vida e a morte no ser ou não ser e nos por quês...

O poeta, o filósofo, o jornalista, o fotógrafo, o artista, o mago, o serigrafista, o surfista, o capoeirista, o louco, o Porrinho, o Malloka, o Neném, o Lutello, o pixaim da vovó, o Lula, o Lulinha, o Lulex Silva... Alguém que adora tudo que faz, mesmo, tantas vezes, contra a vontade; já sobrevivi 50 anos, mais de 18 mil dias, mais de 430 mil horas, mais de 26 milhões de minutos. De mim: a força que a vontade tem, agraciada pela energia vital da magnitude divina.

*Escrito em 2004

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