segunda-feira, agosto 29, 2011

PONTO DE PARTIDA

 
 
 


Isso não é uma regra absoluta. Costumo aplicar uma técnica de ver o personagem sempre de frente, na ‘linha dos olhos’, o olhar na mesma altura. Chegando a esse ponto observo a luz, o cenário, os outros elementos que pertencem aos limites das dimensões captadas pela lente e pelos recursos oferecidos pela câmara. Para esse segundo ‘ver’ costumo também ficar atento a ‘linha do horizonte’, pois percebo que quando esta linha não é bem aplicada, a perspectiva perde o sentido do equilíbrio, - É claro que possa enviesar propositalmente ! Mas certamente ver-se-á um estilo. - afora isso é amadorismo. A consciência do enquadramento exige do fotógrafo um deslocamento contínuo. Mais pra cá, mais pra lá, pra cima, pra baixo, sobe aqui e desce acolá, tudo isso pela sensibilidade do saber ver. Nossa consciência enxerga, na postura bípede, uma linha imaginária de equilíbrio do corpo, vertical; e nossos olhos em uma dimensão horizontalizada.

Falo dessa técnica porque percebo principalmente nas crianças, que são vistas sempre ‘de cima’, uma acomodação quanto a esse deslocamento, quanto a olhar realmente o quadro a que se propõe: Primeiro, ver de frente. Depois observar a luz, a paisagem, o ambiente, a expressão, enfim, se é pra fazer, é melhor fazer bem feito.

Esses registros são do Folguedo ‘Guerreiro Campeão do Trenado’ (Chã da Jaqueira), durante comemorações do Dia do Folclore, no dia 21 de agosto de 2011, na ‘rua fechada’ na Praia da Ponta Verde, promovidas pela Fundação Municipal de Ação Cultural. (Contato: Mestre Nivaldo (82)9107.4345).

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segunda-feira, julho 25, 2011

O carcará

 

O Carcará não é tão guerreiro como uma águia, nem tem a ‘aura felina’ do gavião, mas também não é tão covarde quanto o urubu. Parente distante do falcão, espécie nativa do Brasil, “não é um predador especializado, e sim um generalista e oportunista alimentando-se de insetos, anfíbios, roedores e quaisquer outras presas fáceis; ataca crias de mamíferos (como filhotes recém-nascidos de ovelhas) e acompanha os urubus em busca de carniça”*.


Carcará**
João do Vale
Composição: João do Vale / José Cândido


Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará


*  http://pt.wikipedia.org/wiki/Carcar%C3%A1
**  http://letras.terra.com.br/joao-do-vale/46538/



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sábado, julho 16, 2011

Do caos a lama


A beleza da simplicidade está na felicidade de estar viva a superação de qualquer outro apego, senão a família e os amigos, diante a energia que pulsa a vida, que determina a sintonia ínfima do prazer que emana da vontade de viver, ou sozinho integrado harmonicamente à essência vital. A tristeza não é triste, desde que por um momento, envolto a ásperas condições existenciais, se esboça um riso.

Sorri
Composição: Charles Chaplin / G. Parsons / J. Turner – Versão: Braguinha

Canta: Djavan

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Smile

http://www.vagalume.com.br/djavan/sorri.html#ixzz1SGyWX7eB

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domingo, junho 19, 2011

Os Catadores do Lixão


Às vezes chego à conclusão que determinadas imagens dispensam qualquer palavra, nem o título ter algum nome. Em linguagem plena de informações, através da ambiência, do clima, do aspecto conjuntural, dos personagens, no sentido da visão, da ótica em raciocínio, a composição desfecha no ápice em que o silêncio do momento se revela ao abrir e fechar da cortina do obturador, no instante do clique. Certo de que há uma nítida expectativa quanto a excelência da palavra, cabendo perfeitamente todo e qualquer estilo de signos paralelos, porque permite a meditação, agregando o simbolismo do inconsciente, criando e determinando tendências, vertentes, cercando o fato, vislumbrando o imaginado. Certo de que se pode dizer tudo, ou qualquer ruído, de todo percebido. Sim, mas até então, por todo conhecimento do que se trata essa composição, ainda não inspirava uma só palavra sobre essa foto aqui apresentada e por efeito da proposta do blog, de ‘fotos comentadas’, adentrei por essa reflexão. Então copilei informações de sites e blogs sobre o fato ocorrido, fiz um resumo, e intitulei.

Resumo da Mídia: O antigo 'Lixão de Maceió', com 40 anos de funcionamento, foi desativado um mês depois em que essa série fotográfica foi captada, no dia 30 de abril de 2010, com a inauguração do Aterro Sanitário de Maceió, que funcionará pelos próximos 30 anos, num terreno de 140 hectares na região do Benedito Bentes. Foram 'catalogados' 326 catadores de lixo (e desses, o acréscimo de suas respectivas famílias), que serão orientados pela prefeitura a buscarem outras fontes de renda, já que não têm mais o lixo para catar.

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terça-feira, junho 14, 2011

Das responsabilidades do Fotojornalista


Com uma imagem podemos contar mil estórias ou entrar pra História por presenciar um fato único e ter a impressionabilidade de captar o enredo; no dia a dia o repórter fotográfico transpira isso o tempo inteiro, é uma profissão à flor da pele, que requer disposição, sensibilidade, criatividade, coragem, determinação, esperteza, raciocínio fílmico, amor à profissão e vontade de fazer. Junte tudo isso ao conhecimento antropológico e sociológico, história da arte, planejamento gráfico, semiótica, geometria, ótica, cinema, fotografia, enfim, além do conhecimento técnico dos equipamentos, é no olhar deste profissional onde habita a singular poética das comunicações.

A maioria dos repórteres fotográficos raciocina em imagens, linguagem imagem; ao invés de letras e palavras, perguntas e respostas, rabiscos, busca informações na aura do ambiente, no espectro de luz, nas linhas, nos corpos, na profundidade de campo, no detalhe (cores, perspectivas, coisas, contraluz, movimento, etc.), tenta, incansavelmente, traduzir o intraduzível, retratar o irretratável, fazer casar perfeitamente o conteúdo do texto do companheiro jornalista com a imagem captada. Das lentes as imagens que marcam a História do cotidiano que se vive, que se viveu, a certeza da presença, o fato puro, que pulsa e sangra, eterniza, detalhadamente, a realidade detida no flagrante.

No labirinto das cidades vaga atentamente, - deve ter plena consciência de seu papel social, de interlocutor da vida em seus fatos mais marcantes. - suspenso no silêncio da visão, deve ter o melindre no senso humano de ver, distinguir os fatos, ter ética e ser fiel à retratação do que se é sugerido pela pauta, mas não deve deter-se apenas a esta, pois a vida está ali, ao redor, à caminho, na inspiração, deve permitir-se vislumbrar da criatividade, ousar absurdidade, agir com a alma em chama, com o coração em brasa, na faísca do clique e na carburação da respiração; flutuar com o vento; subir nas antenas e montanhas mais altas; sucumbir ao chão; ter o sangue frio de ver a morte de frente.

O principal valor do produto deste profissional é, sem dúvida alguma, o de informar. Mas quando essa informação caduca, então emerge o valor intrínseco das questões históricas, que agradecem tamanha riqueza de material, do jornalismo impresso. A informação mais precisa, com fatos contados entre o texto em letras e as imagens dos momentos congelados, diariamente, como agente pertinente da autenticidade da notícia, o repórter fotográfico se destaca por sua postura de efeito propagador, pois entre as letras não se enxerga em três dimensões e na perspectiva ótica no instantâneo se enxerga. Em ambas, palavras e imagens, a magnitude transborda na essência prima do amor ao esvaecer.

sábado, junho 11, 2011

Pelas ruas da cidade


Essa loja fica no Jacintinho, bem numa curva de acesso à Ladeira do Óleo, eu sempre que passei por ali achei pelo menos ‘original’, essa dupla exposição de roupas: em manequins, novas, à venda; e no varal, usadas, enxugando. É bem inusitado esse atrativo à clientela, e há um aspecto de melhor visibilidade para as roupas estendidas. A presença do estrangeirismo também chama a atenção: Jeyssy. Pura criatividade. Linguagem popular, arte popular, bairro popular, moda popular. Essa gente brasileira, que aos trancos e barrancos encontra sempre um jeitinho, a partir de um conhecimento e da força de vontade, de poupar-se de dependências funcionais, através de muita dedicação e trabalho, para ter tão grata alforria trabalhista, conquistando autonomia.

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